Em um Brasil onde a política muitas vezes parece um negócio de família, o que vemos em uma recente reportagem da Folha de S. Paulo sobre o candidato derrotado Hugo Motta à sucessão de Arthur Lira não chega a ser surpreendente, mas certamente é revoltante.
O candidato, aproveitando-se da posição estratégica que ocupa, está utilizando emendas parlamentares como se fossem um dote político, turbinando a prefeitura gerida por seu pai. A prática escancara o uso abusivo dos recursos públicos para fins pessoais e familiares, uma verdadeira afronta à população.
A pergunta que devemos nos fazer é: até quando a política brasileira será um playground para as dinastias familiares?
O caso exposto pela Folha de São Paulo não é isolado.
Em muitas cidades do Brasil, prefeitos, vereadores e deputados tratam seus mandatos como uma extensão de suas redes de poder pessoais, perpetuando a velha prática de se elegerem para, no fim, garantirem o enriquecimento ou o fortalecimento de suas famílias, e não do povo que os colocou lá.
Emendas parlamentares que deveriam ser distribuídas de forma republicana são utilizadas para inflar a administração municipal do próprio pai.
Isso, claro, gera um ciclo vicioso: quanto mais dinheiro público abastece a cidade do pai, maior o controle dessa família sobre a região, assegurando sua permanência no poder.
Por trás dessa manobra, está um problema maior: o desvirtuamento das emendas parlamentares. Em teoria, essas emendas deveriam servir para atender demandas locais de forma justa e transparente.
Na prática, elas se transformaram em moeda de troca para garantir apoio político, reeleições e, como nesse caso, aumentar a influência de grupos familiares. Enquanto isso, as cidades que realmente precisam desses recursos ficam à míngua.
E quem paga essa conta? A população, que vê seus impostos sendo transformados em barganhas políticas.
Mais do que nunca, é hora de se rever o papel das emendas parlamentares e de se criar mecanismos que impeçam seu uso para o fortalecimento de clãs políticos.
É preciso acabar com essa prática medieval que transforma o Brasil em um feudo, onde as oligarquias familiares controlam territórios inteiros, usando o poder e o dinheiro público para perpetuar seu domínio.
A candidatura desse deputado à sucessão de Lira não foi apenas mais um capítulo dessa novela brasileira que insiste em se repetir. O desafio é fazer com que nós, cidadãos, nos recusemos a assistir passivamente.
Se a política é de família, a resposta também tem que vir da família: a família brasileira, que paga impostos, que acredita na democracia e que espera que seus representantes, de fato, representem os interesses coletivos.
Isso tudo pode mudar, mas para que isso é preciso que o brasileiro mude a sua maneira de enxergar a política.
É preciso que cada eleitor pense na sociedade e não nos favores pessoais que possa receber caso o seu candidato seja eleito.






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