Senadores gastaram quase R$ 12 milhões com serviços terceirizados em dois anos

Desde o início de 2019 até fevereiro deste ano, 78 senadores investiram R$ 11,9 milhões do dinheiro do contribuinte para contratar serviços externos de consultoria e assessoria, mesmo contando com um pequeno exército de funcionários de gabinete pagos pelo Senado.

O dinheiro utilizado é o da verba indenizatória, recurso público disponibilizado mensalmente aos senadores para que seja utilizado no estrito exercício do mandato.

O líder desse tipo de gasto é o amazonense Eduardo Braga (MDB) que paga mensalmente R$ 25 mil a uma empresa de Manaus pela realização de serviços de “consultoria em desenvolvimento de conteúdo multimídia (áudio, vídeo, foto, animação) gerenciamento e estratégia de mídias digitais online….”. O senador conta com 39 assessores e secretários.

Uma das notas fiscais ressarcidas ao parlamentar.

Veja o ranking completo no final da página

Eduardo Braga também lidera o ranking geral entre os amazonenses com gasto de R$ 878,1 mil, sendo que R$ 691 mil apenas para o serviço de consultoria e assessoria.

O caçador de marajás

Quem também não economiza na hora de contratar serviços terceirizados é o ex-presidente da República e senador Fernando Collor (Pros-AL). No mesmo período já investiu quase R$ 640 mil para a realização desses serviços.

A empresa Texto e Contexto, do jornalista André Gustavo Stumpf e que funciona em uma casa de área nobre de Brasília, já recebeu R$ 200 mil desde fevereiro de 2020, em pagamentos mensais de R$ 15 mil. Na nota fiscal a descrição diz: “Serviços de assessoria e comunicação”.

Collor conta com 51 funcionários de gabinete, sendo 27 lotados em Brasília e 24 em Alagoas.

A empresa Superphoto Comunicação recebeu do senador alagoano quase R$ 382 mil no período apurado, cujos últimos pagamentos mensais foram de R$ 17 mil. No entanto, se considerados todos os já efetuados pelo senador desde fevereiro de 2011, a Superphoto já recebeu mais de R$ 745 mil.

Todos os dados podem ser visualizados aqui.

Fernando Collor figurou por anos no topo da lista de maiores gastadores da verba indenizatória do Senado, sendo o serviço de segurança privada o que mais consumia de sua verba. Em 2018, quando os pagamentos mensais com esse serviço chegavam a quase R$ 24 mil para sua proteção particular, com material fornecido pela OPS, o programa Bom dia Brasil, da Rede Globo, exibiu matéria de Chico Regueira que mostrou a empresa, que já havia recebido até aquele momento quase R$ 1 milhão por este tipo de serviço, dizer não reconhecer atuar com segurança privada. Assista ao vídeo.

Após a veiculação da matéria, o senador Collor desistiu de pagar pelos serviços de segurança privada.

Os senadores Fernando Collor e Eduardo Braga foram procurados pelo Instituto OPS, mas não responderam o e-mail até o fechamento desta matéria.

Bancadas gastadoras

A bancada que mais gasta com essa rubrica no Senado é o MDB com gasto acumulado de quase R$ 3 milhões no período. PSD aparece em segundo lugar com pouco mais de R$ 2,1 milhões e o PSDB com R$ 1,26 milhão. O PSC é o mais econômico, com gastos de R$ 235 mil.

Estados gastadores

O ranking dos estados é liderado por Amazonas com R$ 1,35 milhão, seguido por Alagoas com R$ 987 mil e Pará, com R$ 961 mil de gastos acumulados no período apurado. O partido Rede Sustentabilidade é o último do ranking com gastos de R$ 91,4 mil.

Ranking de gastadores com serviços de consultoria e assessoria externa

Ranking Parlamentar UF Partido  Valor Total 
Eduardo Braga AM MDB    691.250,00
Fernando Collor AL PROS    639.505,69
Nelsinho Trad MS PSD    586.250,00
Jader Barbalho PA MDB    575.000,00
Marcio Bittar AC MDB    485.433,13
Eliziane Gama MA CIDADANIA    389.800,00
Irajá TO PSD    386.446,63
Plínio Valério AM PSDB    363.850,00
Kátia Abreu TO PP    351.157,06
10º Alessandro Vieira SE CIDADANIA    340.955,57
11º Rodrigo Pacheco MG DEM    321.123,14
12º Sérgio Petecão AC PSD    317.660,00
13º Jean Paul Prates RN PT    317.583,02
14º Tasso Jereissati CE PSDB    312.000,00
15º Weverton MA PDT    305.235,00
16º Omar Aziz AM PSD    295.200,00
17º Marcelo Castro PI MDB    275.619,04
18º Angelo Coronel BA PSD    273.000,00
19º Roberto Rocha MA PSDB    252.221,00
20º Mecias de Jesus RR REPUBLICANOS    241.300,00
21º Luiz do Carmo GO MDB    239.801,00
22º Zequinha Marinho PA PSC    235.120,72
23º Paulo Paim RS PT    222.111,56
24º Rogério Carvalho SE PT    202.998,70
25º Izalci Lucas DF PSDB    178.700,00
26º Elmano Férrer PI PP    166.240,00
27º Daniella Ribeiro PB PP    163.680,00
28º Soraya Thronicke MS PSL    163.456,82
29º Renan Calheiros AL MDB    152.333,40
30º Paulo Rocha PA PT    150.970,83
31º Wellington Fagundes MT PL    140.400,00
32º Maria do Carmo Alves SE DEM    135.000,00
33º Jaques Wagner BA PT    134.816,38
34º Jarbas Vasconcelos PE MDB    130.200,00
35º Cid Gomes CE PDT    124.523,24
36º Rodrigo Cunha AL PSDB    123.457,00
37º Dário Berger SC MDB    107.844,00
38º Fernando Bezerra Coelho PE MDB    101.298,10
39º Chico Rodrigues RR DEM      98.244,28
40º Otto Alencar BA PSD      95.000,00
41º Rose de Freitas ES MDB      91.517,04
42º Randolfe Rodrigues AP REDE      85.107,50
43º Acir Gurgacz RO PDT      80.512,23
44º Eduardo Gomes TO MDB      73.500,00
45º Renilde Bulhões AL PROS      72.000,00
46º Marcos do Val ES PODE      66.276,00
47º Humberto Costa PE PT      64.787,28
48º Carlos Fávaro MT PSD      54.333,33
49º Diego Tavares PB PP      47.400,00
50º Carlos Viana MG PSD      41.773,44
51º Confúcio Moura RO MDB      40.183,96
52º Arolde de Oliveira RJ PSD      37.972,00
53º Lucas Barreto AP PSD      36.600,00
54º Juíza Selma MT PODE      30.480,00
55º Carlos Portinho RJ PL      30.000,00
56º José Serra SP PSDB      29.461,00
57º Simone Tebet MS MDB      27.000,00
58º Antonio Anastasia MG PSD      24.160,22
59º Romário RJ PODE      18.000,00
60º Mailza Gomes AC PP      17.585,00
61º Telmário Mota RR PROS      12.933,22
62º Lasier Martins RS PODE      10.350,00
63º Luis Carlos Heinze RS PP        7.705,50
64º Paulo Albuquerque AP PSD        7.200,00
65º Jorginho Mello SC PL        7.000,00
66º Mara Gabrilli SP PSDB        6.538,91
67º Fabiano Contarato ES REDE        6.319,34
68º Zenaide Maia RN PROS        5.500,00
69º Oriovisto Guimarães PR PODE        4.900,00
70º Esperidião Amin SC PP        4.048,00
71º Marcos Rogério RO DEM        4.027,00
72º Veneziano Vital do Rêgo PB MDB        3.900,00
73º Flávio Arns PR PODE        3.661,20
74º José Maranhão PB MDB        1.500,00
75º Major Olimpio SP PSL        1.038,50
76º Styvenson Valentim RN PODE            744,80
77º Ciro Nogueira PI PP            694,88
78º Jayme Campos MT DEM            315,37

Senador Telmário Mota aluga veículos de beneficiárias de programas sociais do governo

Senador Telmário Mota (Pros-RR) aluga um veículo Mitsubishi Triton, ano 2019, avaliado em R$ 140 mil, de Daura de Oliveira, beneficiária do BPC (Benefício de Prestação Continuada) destinado a pessoa idosa, com 65 anos ou mais, e a pessoa com deficiência de qualquer idade, que comprove não possuir meios de se sustentar ou de ser sustentado por sua família.

A locação de R$ 18 mil mensais é paga com recursos da verba indenizatória do senador. Empresas devidamente constituídas para locação de veículos oferecem pick-ups como a locada pelo senador, por quase metade do valor. Entre abril de 2019 até janeiro de 2021 já foram pagos R$ 383 mil para a locação da Triton, o suficiente para comprar quase três veículos como este.

A título de comparação, Mecias de Jesus, conterrâneo de Telmário e seu colega no Senado, mantém contrato de locação de uma Pick-up Hilux por R$ 12 mil mensais. O veículo está avaliado em R$ 240 mil.

Outro contrato

Em contrato anterior, entre novembro de 2018 e março de 2019, o veículo locado era uma van Jumper, da Citroen, avaliada na época por R$ 70 mil, sendo a locação no valor mensal de R$ 20 mil. Assim como no caso da Triton, a van, que já tinha 5 anos de uso, era propriedade de Marinês Campos Feitosa, pessoa física beneficiária do programa Bolsa Família.

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar

Não contente com a resposta dada pelo gabinete do senador de que desconhecia que Marinês era beneficiária do Bolsa Família, o Instituto OPS acaba de acionar o TCU e MPF para que analisem mais profundamente os dois contratos de locação e as coincidências de ambos terem como locadoras, pessoas físicas declaradas hipossuficientes e beneficiárias de programas sociais do governo federal.

O cotão

A verba indenizatória, também conhecida como cotão, é disponibilizada a cada um dos 81 senadores e seu valor depende do estado de origem do parlamentar. No caso de Roraima, Telmário tem à disposição o valor é de R$ 40,7 mil mensais para que sejam utilizados exclusivamente para uso do mandato.

Para ter direito à cota, o senador deve apresentar ao Senado Federal o comprovante de quitação da despesa, acompanhada da nota fiscal ou recibo, e o termo de responsabilidade pela despesa devidamente assinado, afirmando que o produto ou serviço foi devidamente entregue ou executado.

Mais detalhes neste vídeo.

Ex-deputada denunciada pela OPS é condenada por peculato

A Justiça Federal condenou no dia 11 passado, Roseane Cavalcante Estrela, conhecida como Rosinha da Adefal, e Emerson Novais Duarte por cometerem crime de peculato. A ex-deputada praticou o crime ao desviar mais de R$ 518 mil por supostos aluguéis de carros pagos com recursos públicos entre fevereiro de 2011 e novembro de 2013.

A acusação foi apresentada pelo MPF depois que o órgão recebeu da Operação Política Supervisionada (OPS) denúncia contra 23 deputados federais, incluindo Rosinha, em maio de 2014, em documento intitulado Dossiê Dois.

O juiz Vallisney de Oliveira acatou as alegações do MPF e condenou os réus a 4 anos de reclusão, bem como pena de 25 dias-multa, à razão de um salário mínimo vigente à época dos fatos, para cada dia de multa. Seguindo no mesmo entendimento, Vallisney substituiu a prisão por penas alternativas: 1.460 horas de serviços gratuitos à sociedade e o pagamento de R$ 30 mil aos cofres públicos.

Também deverão pagar R$ 80 mil, cada um, como reparação dos danos. Esses valores impostos pela sentença criminal não impedem futura ação civil que vise especificamente o ressarcimento dos prejuízos causados.

“Diante dessas reiteradas constatações e dos argumentos, estou convicto que o contrato de locação de automóveis em tela foi firmado entre os réus com vistas a permitir a apropriação de valores públicos, mensalmente, no período de fevereiro de 2011 a outubro de 2013, tendo ambos concorrido para o desvio da verba parlamentar em prejuízo da Câmara dos Deputados”, afirmou Vallisney de Oliveira, ao decidir sobre o caso.

O Instituto OPS apresentará na Câmara, na semana que vem, pedido para que a ex-deputada faça o ressarcimento de todo o valor que desviou no período.

Leia aqui a condenação

Instituto OPS lança a 3ª fase da Operação Tanque Furado

Dando continuidade ao trabalho que envolve cidadãos voluntários de todas as regiões do país e até do exterior, o Instituto OPS lança a terceira etapa da Operação Tanque Furado.

O objetivo, além de envolver a sociedade na fiscalização de gastos públicos, é o de encontrar irregularidades praticadas por deputados federais no uso da verba indenizatória para o abastecimento de veículos.

As duas primeiras etapas da operação encontraram quase uma centena de casos em que deputados foram indevidamente ressarcidos com dinheiro público. Para fechar a auditoria dos gastos com combustíveis realizados em 2020, a Operação Tanque Furado 3 vai apurar as notas fiscais de abastecimentos dos meses de novembro e dezembro.

Os dados levantados nesta operação serão juntados aos demais já apurados e o objetivo é exigir a devolução aos cofres públicos dos valores que foram indevidamente utilizados, além de denunciar os casos ao TCU e MPF.

A operação está aberta à participação popular no período de 10 a 17 de janeiro desse ano e o colaborador terá até o dia 20 desse mês para enviar seus resultados.

Você pode participar. Clique aqui e saiba mais.

Para entender como deputados abastecem seus veículos com dinheiro público, o Instituto OPS lança a Operação Tanque Furado 2

Na legislatura passada deputados federais gastaram, juntos, quase R$ 73 milhões de reais para abastecer seus carros e de seus secretários. Pago com dinheiro público, a despesa está prevista nas regras internas da Câmara que efetua os pagamentos mediante simples apresentação do cupom ou nota fiscal das despesas.

Alguns deputados da atual legislatura, mesmo durante o período da pandemia do novo coronavírus, continuam gastando 100% do que é disponibilizado por mês, ou seja, R$ 6 mil.

Não há, por parte da Câmara dos Deputados, qualquer controle sobre como os abastecimentos são realizados, ficando a cargo do parlamentar assegurar que todo o combustível foi utilizado para exercer o mandato.

O Instituto OPS realizou a Operação Tanque Furado no ano passado e descobriu abastecimentos de veículos da empresa de um deputados sendo pagos com dinheiro da verba indenizatória. Após ser questionado, o deputado Ronaldo Carletto devolveu à casa quase R$ 18 mil.

Para complementar as informações já coletadas, o Instituto OPS acaba de lançar a Operação Tanque Furado 2 e pretende auditar, com a participação da sociedade, 963 notas fiscais pagas pela Câmara neste ano.

A operação estará aberta ao público entre os dias 20 de setembro e 15 de outubro. A participação popular é gratuita e um vídeo tutorial explica todo o processo.

Para fazer parte clique aqui

Deputados gastam quase R$ 22 milhões com combustíveis na atual legislatura

Desde o início da atual legislatura até a primeira quinzena de setembro de 2020, deputados federais gastaram R$ 21,9 milhões com combustíveis e lubrificantes, valor suficiente para adquirir 5 milhões de litros de gasolina, se considerado o preço médio praticado hoje em Brasília.

Pago pelo contribuinte, o gasto é legal e está previsto nas regras da Câmara que garante a cada parlamentar o valor de R$ 6 mil mensais para arcar com despesas de combustíveis e lubrificantes de seus veículos e de seus secretários.

Doe para o Instituto OPS

Com todo este combustível seria possível que cada um dos 518 deputados, que utilizaram este recurso público, viajasse 32 vezes entre Manaus e Porto Alegre.

Para fazer uso da verba o parlamentar precisa apenas apresentar à Câmara a nota ou cupom fiscal dos abastecimentos. Em poucos dias o dinheiro é depositado em conta.

Combustíveis e lubrificantes são apenas duas das várias despesas previstas pelas regras internas da Câmara dos Deputados para cobrir gastos exclusivos de mandato, o que nem sempre ocorre.

A Operação Tanque Furado deflagrada no ano passado pelo Instituto OPS para identificar quem são os reais beneficiários dos abastecimentos pagos com dinheiro do contribuinte, encontrou até mesmo abastecimentos de veículos pertencentes a parentes de deputados.

Um dos casos envolveu o deputado federal Ronaldo Carletto (PP-BA) que foi flagrado bancando despesas de veículos da empresa de sua esposa. Ele admitiu o “equívoco” e acabou devolvendo quase R$ 18 mil aos cofres públicos.

Com o objetivo de levantar informações sobre os abastecimentos deste ano, o Instituto OPS lançará neste dia 20set a Operação Tanque Furado 2, que pretende auditar 906 notas fiscais com a ajuda da sociedade.

As irregularidades, se encontradas, serão juntadas às demais já apuradas na operação anterior e encaminhadas aos deputados para que efetuem a devolução ao erário. A Câmara também será notificada pela entidade.

A operação estará aberta à participação popular. Qualquer cidadão poderá ajudar a auditar as notas, sendo preciso apenas preencher um pequeno formulário. Todas as informações necessárias para realizar o trabalho será enviado por e-mail, além da disponibilização de um tutorial em vídeo e do suporte via Telegram oferecido pelo instituto.

A operação ocorrerá entre os dias 20 de setembro e 15 de outubro e o resultado será divulgado no início de novembro.

Robô da OPS atua e deputados devolvem dinheiro

O Instituto OPS, entidade sem fins lucrativos responsável pela Operação Política Supervisionada (OPS), acaba de receber a informação da Câmara dos Deputados que mais um deputado devolveu dinheiro aos cofres da casa.

O robô da OPS que opera diariamente coletando dados dos portais da Câmara e Senado detectou o pagamento a uma empresa que oficialmente não existe há dois anos.

O deputado Dr. Frederico (Patriota) usou mil reais de sua verba indenizatória para contratar a Rádio Ecológica FM, de São João Del Rey-MG, para a veiculação de spot (mensagem gravada) de 60 segundos na programação. No entanto, a Anacim, entidade emissora da nota fiscal emitida ao deputado, é uma pessoa jurídica baixada na Receita Federal ainda em 2018.

Como parte da atuação da OPS, a Câmara foi advertida no dia 12 de março pelo pagamento irregular que, após confirmar a indevida restituição de valor ao parlamentar, encaminhou o caso ao deputado que imediatamente restituiu os cofres da casa.

Outras pequenas devoluções ocorreram ao longo dos últimos meses, todas elas após irregularidades terem sido encontradas pelo robô da OPS. São elas:

A soma das devoluções é de R$ 1.983,86 o que faz aproximar ainda mais a OPS ao montante de R$ 6 milhões já recuperados do dinheiro público. Até agora são R$ 5.993.880,77 de dinheiro público que deixaram de pagar por despesas irregulares.

Só foi possível chegar a este valor graças à colaboração de centenas de pessoas que ao longo dos anos ajudaram a OPS na elucidação de casos, que fotografaram empresas suspeitas em suas cidades, que ajudam financeiramente este trabalho, além das milhares que acompanham a OPS nas redes sociais e que ajudam a divulgar esta iniciativa.

Instituto OPS pede ao TCU e MPF avaliação sobre contratação de serviços de consultoria na Câmara e Senado

Após concluir uma varredura completa nas contratações de serviços de consultoria jurídica pagas com recursos da verba indenizatória de deputados e senadores, o Instituto OPS constatou que 28 parlamentares contrataram para a assessoria, advogados que são patronos dos próprios em causas diversas perante à Justiça.

Parlamentares do Congresso Nacional arregimentam advogados de forma precária, sem qualquer critério, a não ser o próprio e arbitrário QI (Quem indica), burlando o princípio constitucional da impessoalidade e da moralidade que determina que o exercício jurídico, na Administração Pública, deve ser prestado por carreira a ser provida por concurso público, basicamente, consoante o que determina o artigo 37, II da CF.

Tais fatos tornam desprotegido o patrimônio coletivo, já que não seria um despautério lançar-se dúvidas (sem que se esteja afirmando, até porque não há meios razoáveis de aferição), a respeito de eventual triangulação com recursos públicos, que podem por esse modo acabar sendo utilizados para pagamentos de um interesse próprio, específico, já que a descrição desses serviços ou comprovação de seu uso, nos comprovantes, recibos ou notas fiscais são insuficientes para que seja feita uma pesquisa de mercado, nem mesmo é possível se ter acesso aos documentos produzidos por essas consultorias, mesmo solicitados via Lei de Acesso à Informação, uma vez que a Câmara, em resposta a este Instituto, diz que “a norma reguladora da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar não exige do deputado, para efeito de reembolso, a apresentação de outros documentos, além daqueles que já se encontram publicados no sítio eletrônico desta Casa (Ato da Mesa n. 43/2009, art. 4º, § 3º).

Dessa forma, o Instituto OPS encaminhou representação ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público para que apurem os fatos e que decidam em favor do povo brasileiro.

Veja aqui as representações.

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA OAB FEDERAL

Enquanto o governo federal se prepara para aportar recursos bilionários aos estados, sem contrapartidas para os mandatários, a título de combate ao novo coronavírus, entes federativos continuam gastando recursos públicos com pagamentos inconstitucionais, a exemplo de Mato Grosso que paga verba indenizatória aos seus Parlamentares no valor individual de R$65 mil reais, a maior do país, sem qualquer exigência de comprovação de gastos.

Como assistir a tudo isso calado?

O prêmio recebido por esses estados será um socorro bilionário, até agora, independentemente da quantidade de casos da doença; consideração em razão da saúde financeira do ente; compromisso de saneamento das contas; impedimento de ampliação de gastos; obrigação de redução de custos, nada!

Vale dizer que esses recursos aumentarão a nossa dívida ainda mais e exigirão mais esforço da população para saldá-la. Enquanto isso, o sistema se mantém e consegue a proeza de sair intacto, ileso, ainda mais obeso, farto de receitas públicas, que não chegam e continuarão não chegando na ponta dos hospitais; na mesa do trabalhador; nas salas de aulas; nos presídios superlotados.

Há seis meses está nas mãos do Presidente da OAB pedido feito por este Instituto OPS, do qual sou diretor-presidente, para que se leve ao STF o debate acerca da constitucionalidade dessas verbas, no estado de Mato Grosso.

Veja o documento protocolado aqui

É que apesar do trabalho feito pela seccional da OAB mato-grossense, que questionou a criação e o pagamento dessas vantagens, o poder judiciário local, à revelia do entendimento do Ministério Público daquele estado, considerou-as constitucionais.

Para dirimir a questão, é preciso levar o assunto ao STF, que é o guardião máximo da Constituição Federal.

Basta uma petição, que poderia até mesmo reproduzir a bem elaborada peça da OAB-MT, evitando-se a popular “reinvenção da roda”. Basta isso, para que o assunto chegue ao órgão competente.

Infelizmente, a população não possui legitimidade para fazer esse pedido chegar ao STF, mas a ORDEM DOS ADVOGADOS a possui.

Por isso, apelamos:

Dr. FELIPE SANTA CRUZ, ajuíze junto ao STF ação direta de inconstitucionalidade! Seu ato será capaz de reconduzir à moralidade os pagamentos feitos aos representantes do Poder Legislativo em Mato Grosso e recobrará a esperança do povo nas instituições.

Baixe a carta aqui

Deputados mais perdulários de 2019

Uma série de 5 vídeos mostra o TOP 5 dos gastadores das cinco maiores despesas pagas com a verba indenizatória dos deputados em 2019. No levantamento, que considera o período entre 1º de fevereiro de 2019 até 17 de dezembro do mesmo ano, deputados gastaram R$ 163,3 milhões, dinheiro público utilizado sem qualquer tomada de preços e, muito menos, licitação.

Assista aos vídeos da série:

Top 5 – Passagens aéreas

Top 5 – Divulgação da Atividade Parlamentar

Top 5 – Locação ou fretamento de veículos automotores

Top 5 – Manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar

Top 5 – Consultorias, pesquisas e trabalhos técnicos

Veja o ranking em números

RANKING POR TIPO DE DESPESA
RNKPARTIDOACUMULADO
 EMISSÃO BILHETE AÉREO      38.722.562,27
 DIVULGAÇÃO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR.      37.604.233,38
 LOCAÇÃO OU FRETAMENTO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES      22.094.123,07
 MANUTENÇÃO DE ESCRITÓRIO DE APOIO À ATIVIDADE PARLAMENTAR      19.401.018,44
 CONSULTORIAS, PESQUISAS E TRABALHOS TÉCNICOS.      16.765.633,59
 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.      14.186.038,66
 TELEFONIA        3.934.238,65
 PASSAGENS AÉREAS        3.230.977,37
 HOSPEDAGEM ,EXCETO DO PARLAMENTAR NO DISTRITO FEDERAL.        1.581.838,28
10º SERVIÇOS POSTAIS        1.546.403,54
11º LOCAÇÃO OU FRETAMENTO DE AERONAVES        1.256.463,00
12º SERVIÇO DE SEGURANÇA PRESTADO POR EMPRESA ESPECIALIZADA.            896.516,79
13º SERVIÇO DE TÁXI, PEDÁGIO E ESTACIONAMENTO            811.030,76
14º FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO DO PARLAMENTAR            792.914,94
15º ASSINATURA DE PUBLICAÇÕES            248.828,76
16º PASSAGENS TERRESTRES, MARÍTIMAS OU FLUVIAIS            117.979,70
17º LOCAÇÃO OU FRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES              98.450,00
18º PARTICIPAÇÃO EM CURSO, PALESTRA OU EVENTO SIMILAR              87.015,57